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Uma
das mais importantes funções da arte está
no seu poder de obrigar cada um de nós a estar sempre
pronto a rever as próprias idéias, ajustando-se
a necessidade de responder criticamente aos mais variados
desafios. Os trabalhos mais instigantes são justamente
aqueles que não aceitam respostas e criam desafios
ao olhar e à inteligência.
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artista plástico André Vasarhelyi tem justamente
essa capacidade de apresentar telas que fogem a um comentário
rápido ou sem maior compromisso. Torna-se necessário
mergulhar nelas para absorver ao menos parte de sua proposição
estética. Reside aí um lirismo em que a cor
desempenha um papel preponderante. |
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| Seja
quando se vale de cores mais quentes ou quando utiliza tons
mais claros, o artista consegue resultados que geram impacto.
Um fator está na própria dimensão das
telas. Ao ocuparem geralmente áreas maiores que um
metro quadrado, criam espaços que exigem um mergulho
visceral. |
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As
cores sobrepostas, criando áreas em que as formas
retangulares prevalecem, geram uma atmosfera ambígua
de fértil instabilidade. Surge um caldeirão
caótico de onde brota um cosmos harmônico.
Cada trabalho assim se torna agradável de ser visto,
efeito muitas vezes acentuado pelo uso de regiões
em azul celeste.
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A
poética de cada trabalho evoca mapas cartográficos
fotografados de milhares de quilômetros de altitude.
O que poderia ser ciência exata, no entanto, torna-se
delicada inquietude. As áreas criadas pelo artista
não são visões geométricas do
homem de ciências, mas a determinação
inexata de um esteta.
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| O
jogo de texturas e cores permite encontrar em cada tela uma
resposta muito pessoal às nossas angústias.
Cada espectador parece encontrar no trabalho de Vasarhelyi
uma parte de si. Isso é um privilégio, pois
mostra que o artista estabelece uma linguagem que ultrapassa
fronteiras. |
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| Há
em André Vasarhelyi uma busca estética que salta
aos olhos - e grita. Seus trabalhos demandam a participação
do observador, que não pode se limitar a ficar segundos
perante cada tela, passando para a seguinte. |
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Cada
uma é uma fotografia poética de um temperamento
e visão de mundo. Cada imagem estabelece o retrato
de uma alma, criando espaços poéticos que
são aéreas e densas visões de nós
mesmos.
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Oscar
D'Ambrosio, jornalista, mestre em Artes pelo Instituto de Artes
da UNESP, integra a Associação Internacional de
Críticos de Arte (AICA-Seção Brasil) e é
autor, entre outros, de Contando a arte de Peticov (Noovha América)
e Os pincéis de Deus: vida e obra do pintor naïf Waldomiro
de Deus (Editora Unesp e Imprensa Oficial do Estado de São
Paulo).
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